quarta-feira, 29 de outubro de 2014

É Físico Demais


Mais uma vez, vidros embaçados e as vozes ofegantes.
Mais uma vez, nossa discussão foi calada pela tesão, pelo calor que nossos corpos não conseguem negar. Foi bom; sempre é.

Vieste aos poucos e murmuraste que não era caso para tanto drama; nunca é.
Molhaste meu corpo de palavras de consolo, de "nunca mais se repetirá" e que ambos sabemos que mesmo antes de entrares em mim já teriam expirado seu prazo.

Outra vez substituímos as palavras por beijos e parece que está tudo resolvido. Sexo sempre resolve as coisas, não na totalidade, mas uma boa parte.
Sinto que te atormento e te sufoco com esta necessidade em resolver, em falar até que tudo se esgote. Não é criar caso. Talvez tenha sido na primeira e depois na segunda vez; mas hoje não é mais.

Quero resolver-me com as minhas incertezas e aniquilar as minhas inseguranças.
Mas tu vens de boca molhada, e me retiras a vontade de discutir o que quer que seja.
Há um calor que está próximo demais dos nossos corpos, que me queima a pele, me arde o fôlego, inflama minhas palavras e me esvazia.
Minha boca grita que me penetres com violência e o fazes. Penetras em meu ego, estupras meu orgulho e fazes sangrar a minha verdade. Anulas toda aquela vontade que me trouxe à ti, a
vontade de colocar pingos nos is e definir papéis. A vontade de ter as cartas postas à mesa.

Meu corpo sim; este sucumbe aos encantos do teu, se molha e deixa o teu deslizar nele.
Mas meu ego quando ressurge, só me condena, me divide em pequenas partes, me coloca para julgamento em praça pública. Sobra pouco de mim quando te completas.
Os mesmos corpos suados de sempre, os vidros embaçados, outra vez, e nada de progressos, de avanços nessa questão que não me deixa adormecer mesmo depois de orgasmos múltiplos.

Nosso sexo sabe a nada. Nosso sexo não deixa tranquilidade. Tudo acaba quando gozamos... Principalmente a certeza de ter sido algo resolvido.
Dá-me sempre vontade de te devolver aos braços dela, manobrar o carro, reduzir a velocidade  da nossa relação automática e estacionar tudo no passado.

É físico demais.

Por: Leocádia Valoi

4 comentários:

  1. Parabens... É fascinante....

    ResponderEliminar
  2. As Manas não estão a brincar de escrever.... ����������

    ResponderEliminar
  3. Parei em diversas partes do textos pq e simplesmnte cativante.

    Entra te por todos lados . (im sorry o trocadilho, hehe).

    Congrats menina Leo .

    ResponderEliminar