quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Dois Minutos


Tudo me corre mal, deve ser da saudade que tenho do Luís; não falamos há dias, voltei a fazer merda. Não sei como é que ele ainda atura as minhas borradas.
Bem, dessa vez parece que foi a gota d'água, fui longe demais com as minhas mentiras e omissões. Mas se formos a ver, foi para o bem da nossa relação. Ele não precisa saber que o César está atrás de mim, ou que agarrou forte o meu rabo enquanto nos beijávamos, nem muito menos que eu deixei as costas dele todas marcadas.

Entretanto, de hoje não passa. Coloquei-me no lugar dele e acabei de enviar uma mensagem:
"Vem para a minha casa, precisámos ter uma conversa."
Não sei porquê que me estou a preparar, se nem resposta obtive, já sei o que acontecerá. Essa história já tem o seu final marcado.
Poderíamos resolver tudo por telefone, assim  pouparíamos lágrimas, caras tristes e desânimos. Não haverá pior castigo do que ter que enfrentar o fim e olhá-lo nos olhos enquanto o mesmo passa por nós.

Quando menos esperava, o meu telefone vibra. "Cheguei! Estou a subir o prédio."
Já deveria calcular que daria uma de Don Juan, caio sempre nessa. Abro a porta e nem sequer olha para mim, fui totalmente ignorada. Meu ego apanhou o avião da Malaysia Airlines e desapareceu sem deixar rastos.

Sentei, ele olhou para mim com uma cara de predador; sei que é só para mexer comigo, não me deixei levar.
Depois de tanto andar pela casa feito uma barata tonta, sentou-se ao pé de mim e beijou-me. Não correspondi e cortei-lhe logo com uma pergunta.
"-O que será de nós?"
Essa é uma daquelas perguntas rasteiras que sai nos testes de admissão de Harvard. Ele não conseguiu responder e o silêncio tomou conta do cenário.

Já não suportando aquele silêncio esmagador, aproximei-me dele e comecei a acariciá-lo. Sem resposta. Dou-lhe um beijo de tirar o fôlego, ele corresponde.
Quando quero, consigo ser uma autêntica puta. Não parei por aí, continuei e coloquei as minhas pernas sobre as dele, passando-as discretamente pela sua pila.

"-O que queres falar comigo?", perguntou-me!
Como assim?! Que pergunta é essa?, indagou  a minha consciência. Ele já deveria saber o que quero pela mensagem que mandei e mais ainda agora, depois desse beijo.
"Eu... Chamei-te aqui porque já não aguento com a saudade.", disse.
"-Só isso?", retrucou.
"-Não!"
"-Então? Não tenho muito tempo a perder, ainda mais contigo."
"-Quero te pedir desculpas por todo o mal que te causei, entendo se não quiseres ter mais nada comigo e..."
"-O que tu queres, sei eu."

Depois de pronunciar esta frase, agarrou-me pelo braço como se me fosse bater e devorou-me com um beijo. Percorreu os meus lábios, entrelaçou a sua língua na minha em movimentos descoordenados; quando precisei de ar, ele deslizou até à minha orelha, meu pescoço e chegou aos meus ombros. Já estava completamente derretida.

Largou-me e pediu para eu que dançasse. Obedeci-o, e dancei ao som dos nossos batimentos cardíacos. Despi-me e ficando só de calcinha, ele levanta-me os braços e pressiona-me contra a parede, para dar a devida atenção aos meus mamilos, já arrepiados de tanta excitação. Brincou com os meus piercings, um em cada mamilo.

Assim que terminou, tirei-lhe a camisa, delicadamente, e enchi de beijos aquele tronco musculado. Baixei-lhe a calça, ele atira-me para a cama e arranca a minha calcinha, literalmente.
"-Hoje serás castigada, pelo teu mau comportamento."
"-Faz-me tua!"

Beijamo-nos louca, intensa e selvaticamente. Ele apercebeu-se do que eu queria e cedeu; foi inevitável. Passeou por todas as curvas e contra-curvas do meu corpo.
Deitada com o rabo em direcção ao céu, senti a sua língua a percorrer a minha vagina. Estava tão molhada e quente, um arrepio tomou conta de mim. Continuei a receber prazer daquela língua, até que, de repente, ele chupa o meu clitóris, dei um grito de satisfação.
Este homem está disposto a me deixar maluca e quando eu pensei que já estivesse no auge, ele começa a fazer um cunniligus. Meu Deus! Estou em ecstasy.

A língua do Luís, percorria por todos os caminhos. Eu, de tão excitada que estava, não parava de gemer, de gritar, de me contorcer, até que ele pára, vira-me e eu digo:
"-Sabes o que combina bem com as minhas pernas?"
"-Não!"
"A tua cabeça entre elas."
E lá fomos...

No momento em que me preparava para receber aquele músculo de rompante, o Luís levanta-se, olha para mim e diz:
"-Hoje não te vou foder. Sei que estás toda excitada, mas o máximo que posso te dar é a minha pila para chupares."

Fiquei incrédula com aquela situação. Parece que há sim, um castigo pior do que o fim.

Mandei-o embora.
Acho que irei ligar para o César, ele vive a dois minutos daqui de casa.

Por: Rosema Matias

2 comentários:

  1. Ja havia dito que as possibilidades sempre sao piores que a realidade em si.

    E um texto envolvente, nos dois sentidos

    E gosto da forma como ele termna.

    Parabens !

    ResponderEliminar